A importância da avaliação vascular antes de cirurgias estéticas

A lista de exames do pré-operatório está aberta na tela do celular: hemograma, coagulograma, glicemia, eletrocardiograma, risco cirúrgico com o cardiologista. Você vai riscando conforme marca cada um. Nenhuma linha ali fala das suas pernas, que incham desde os vinte e poucos anos e que você nunca chamou de problema médico.

Por que fazer uma avaliação vascular antes de uma cirurgia estética? Porque ela identifica, antes da sala cirúrgica, quem tem risco aumentado de trombose e quem chega com veias já doentes. Esse mapeamento é o que permite à equipe escolher as medidas de prevenção adequadas ao seu caso. A avaliação em si não previne o coágulo; ela mostra o terreno, e é a conduta tomada a partir dela que reduz o risco.

Lipoaspiração, abdominoplastia e lifting somam três coisas que a circulação sente: o tempo de imobilidade, o trauma nos tecidos e a inflamação da recuperação. Quando o sangue chega e volta bem, a cicatrização tem o que precisa. Quando já existe uma alteração venosa que ninguém diagnosticou, o pós-operatório costuma ser mais arrastado.

Por que a circulação afeta o resultado da cirurgia?

O tecido operado depende de sangue oxigenado para se reparar, e é por isso que fluxo arterial ruim, tabagismo e diabetes descontrolado aparecem entre os fatores mais associados a cicatrizes de má qualidade e a sofrimento da pele.

Veias com refluxo dificultam o escoamento do líquido e do sangue que se acumulam depois da cirurgia, o que costuma prolongar o edema. Aquele inchaço que você esperava que durasse duas semanas se estende por mais tempo, e nem sempre alguém explica o motivo.

E ficar parada no pós-operatório, somada a fatores individuais como histórico de trombose, uso de hormônio e obesidade, aumenta a chance de formação de coágulos nas veias das pernas.

Quem precisa da avaliação vascular antes de operar?

A consulta é recomendável para qualquer cirurgia eletiva de porte, especialmente quando o histórico traz trombose, embolia pulmonar ou varizes na família ou na própria pessoa, uso contínuo de anticoncepcional hormonal ou terapia hormonal, tabagismo, uma rotina de muitas horas sentada ou em pé com pouca atividade física, ou pernas que pesam, cansam e incham com frequência no fim do dia.

Como é feita a avaliação vascular pré-cirúrgica?

Começa pela sua história e pelo exame das pernas, e inclui o ultrassom com Doppler vascular quando o histórico ou o exame indicam.

O Doppler mostra o fluxo em tempo real e revela refluxo, veias doentes ou obstruções que não aparecem por fora. Com esse mapa em mãos, a equipe cirúrgica trabalha com dados.

O que muda quando o cirurgião plástico e o vascular conversam?

A prevenção passa a ser ajustada ao seu risco. Meia de compressão adequada, compressão pneumática durante o procedimento e estímulo à movimentação precoce são definidos conforme escalas de risco usadas na rotina pré-operatória. Nenhuma dessas escalas acerta o risco individual com precisão, então elas entram como apoio à decisão da equipe.

A decisão sobre medicamentos também muda de lugar. A necessidade de anticoagulante preventivo, assim como a suspensão de hormônios antes da cirurgia, é individualizada e combinada entre as duas equipes, e não resolvida por uma delas sozinha.

E existe a questão da sequência. Em alguns casos faz sentido tratar as varizes antes da cirurgia estética, em outros dá para operar primeiro e tratar as veias depois, e há ainda a possibilidade de tratar as duas coisas na mesma anestesia. Isso se decide caso a caso.

Quando procurar um cirurgião vascular?

O momento certo é quando a cirurgia estética começa a ser planejada, junto dos demais exames pré-operatórios. Chegar ao centro cirúrgico com a circulação mapeada é o que permite prevenir o que é previsível e se recuperar com mais tranquilidade.

Artigo revisado e assinado por:

Dr. Vitor Gornati — Cirurgião Vascular (CRM 135.239)