Como diminuir a gordura do lipedema?

Quatro quilos a menos na balança nesta manhã. Você sobe, desce, sobe de novo para conferir, e depois vai até o espelho olhar a perna de lado. A dor ao apertar a panturrilha está exatamente onde estava no mês passado, e o volume mudou tão pouco, mesmo com o número na balança sendo outro.

Como diminuir a gordura do lipedema?

Separando duas coisas que a balança mistura, porque parte do volume da perna é líquido e tecido inflamado, e essa parte responde ao tratamento conservador, enquanto a outra é a gordura do lipedema, um tecido em que a biópsia encontra células de gordura maiores, mais fibrose e mais células de defesa do que no tecido de mulheres com o mesmo peso. É esse tecido que os consensos descrevem como difícil de reduzir com dieta ou exercício, e quando é ele que sobra e ainda tem dor, pode ser indicado tratar cirurgicamente.

Por que emagrecer não resolve sozinho?

Treze mulheres perderam mais de cinquenta quilos com cirurgia bariátrica e continuaram com a mesma dor. Em outro estudo, uma dieta que reduziu cerca de nove por cento do peso melhorou os exames metabólicos e não mudou nem a inflamação nem a fibrose do tecido. Emagrecer trata o peso, e apesar disso ajudar, o lipedema não é só o peso.

Uma frase que circula precisa cair, a de que a gordura sai de cima e não das áreas afetadas, porque quando isso foi medido com composição corporal antes e depois da dieta a redução foi parecida no abdome e nas pernas. O que persiste é a dor e o estado do tecido, e não o lugar de onde a gordura sai. A culpa não é sua, e engordar piora os sintomas e aumenta ainda mais um volume que não foi todo embora quando você emagreceu.

O que cada medida realmente reduz?

Frente por frente, cada uma resolve uma parte diferente do volume.

A compressão graduada contém o inchaço durante o dia, e de todas as medidas conservadoras é a única com estudo randomizado a favor, o que explica por que ela aparece como pilar em todas as diretrizes. A drenagem linfática manual e a manipulação das fáscias entram no pacote de terapia descongestiva que essas mesmas diretrizes recomendam, com muitas mulheres relatando alívio da tensão que se mantém quando a frequência se mantém.

Comer menos ultraprocessado e açúcar reduz o estímulo inflamatório de fundo, uma medida segura e plausível, ainda que o que se tenha medido seja queda de marcadores inflamatórios no sangue, sem associação com dor nem com qualidade de vida. O exercício melhora o bombeamento sem promessa de reduzir gordura localizada, começando de baixo impacto quando a inflamação está mais presente, com água, caminhada e fortalecimento, e evoluindo para carga progressiva conforme o quadro permite, apoiado numa base de seis estudos e 115 mulheres, com melhora de dor, circunferência e desempenho físico, maior quando o exercício vem junto da compressão. Dormir bem e baixar o estresse não diminuem gordura, e ainda assim mudam o quanto a dor incomoda.

Quando a remoção cirúrgica é indicada?

Quando a dor persiste, a mobilidade fica limitada e o tratamento conservador chegou ao limite, o funcional e também o estético. A lipoaspiração tumescente para lipedema é planejada para poupar os vasos linfáticos, e em 50 pacientes com linfocintilografia antes e seis meses depois a função linfática não piorou. Ela retira parte do tecido doente, e as séries de acompanhamento mostram menos dor ao longo dos anos, nenhuma delas com grupo de comparação, o que você merece saber antes de decidir. A cirurgia não encerra a doença, e os pilares do tratamento conservador continuam depois.

Por que o acompanhamento multidisciplinar é fundamental?

Porque reduzir volume envolve tecido, alimentação, movimento e desgaste emocional, e é por isso que cirurgião vascular, cirurgião plástico, nutricionista, fisioterapeuta e psicólogo dividem o trabalho.

Quando procurar um cirurgião vascular?

Se você tem acúmulo de gordura desproporcional nas pernas em relação ao tronco, se dói ao toque, se roxos aparecem à toa ou se o inchaço volta todo fim de dia, vale procurar avaliação.

A avaliação vascular especializada mapeia a circulação, define o estágio e, quando faz sentido, investiga metabolismo e composição corporal para separar líquido de gordura.

Artigo revisado e assinado por:

Dra. Karen Utsunomia — Cirurgiã Vascular (CRM 139.678)