A sapatilha que você calçou de manhã sem pensar aperta às cinco da tarde. É o mesmo pé e a mesma sapatilha. Debaixo da mesa você tira uma, depois a outra, e fica descalça até a hora de ir embora.
O que causa inchaço persistente nas pernas?
Perna que incha todo dia e deixa marca de meia raramente é só retenção de líquido. A causa mais comum é a circulação venosa trabalhando mal. Depois entram na lista o linfedema, falha na drenagem linfática; e o lipedema, acúmulo desproporcional e doloroso de gordura. Há ainda causas fora das pernas a descartar: coração, rim, tireoide, fígado e alguns medicamentos.
Como diferenciar o Lipedema do Linfedema?
As duas dão volume e desconforto, e os sinais diferem.
O lipedema faz volume nas duas pernas em proporção parecida, ou nos dois braços, poupando pés e mãos. Dói ao toque, marca roxo fácil, e mantém a desproporção mesmo depois de emagrecer. O linfedema acumula líquido no tecido, muitas vezes num membro só, e afeta também as mãos e pés. Ele pode ser genético, o primário, ou pode aparecer depois de alguma agressão ao sistema linfático como erisipelas, cirurgias, traumas locais. Com o tempo a pele engrossa e endurece.
As duas podem coexistir, quadro chamado de lipolinfedema, e costuma haver insuficiência venosa por baixo. O diagnóstico é sobretudo clínico, e os exames servem para afastar outras causas. Nenhum sinal isolado o fecha: a ausência dos sinais clássicos de linfedema não descarta a doença, e sinal presente com exame linfático normal aponta mais para obstrução nas veias.
Quais são os tratamentos indicados para o Lipedema e o Linfedema?
Nenhuma das duas tem cura, e as duas respondem ao cuidado contínuo.
No lipedema a compressão graduada é a base, única conservadora com benefício em estudo randomizado, ainda que pequeno. A prescrição passa por checar as artérias da perna, que definem a força da meia. Somam-se exercício, alimentação sustentável e tratamento das varizes. A drenagem linfática é suporte, associada ao trabalho das fáscias.
No linfedema o tratamento é a terapia descongestiva: cuidar da pele, drenagem linfática manual, compressão melhor definida após avaliação clínica e exercícios orientados. É a de melhor respaldo, e a compressão de manutenção sustenta o resultado.
Existem ainda recursos auxiliares. A pressoterapia pode somar à compressão. Ondas de choque e fotobiomodulação seguem em estudo, e entram como complemento, não como base.
Quando a cirurgia é indicada?
Quando o tratamento clínico bem feito não alivia o bastante. No lipedema, a lipoaspiração específica retira o tecido gorduroso alterado buscando preservar os vasos linfáticos, para reduzir dor, peso e volume. No linfedema avançado há microcirurgia linfática e cirurgias de redução de volume.
Quando e por que procurar um cirurgião vascular?
Vale procurar se o inchaço persiste, dói ao toque, vem com roxos sem causa ou deixa um lado bem maior que o outro.
A avaliação vascular mapeia a circulação com ultrassom e avalia o sistema linfático. Chegar ao nome certo é o que permite tratar dor e inchaço.
Artigo revisado e assinado por:
Dr. Vitor Gornati — Cirurgião Vascular (CRM 135.239