Descer a escada do prédio virou um procedimento. A mão vai no corrimão antes do primeiro degrau, o peso passa todo para um lado, você desce um degrau de cada vez em vez de alternar as pernas, e no meio do lance para esperando o joelho parar de latejar. Lá embaixo, alguém segurando a porta espera. Você diz que está tudo bem.
O que é lipedema no joelho?
É o lipedema em volta da articulação: gordura dolorida nas duas pernas ao mesmo tempo, quase sempre seguindo pela coxa e pela panturrilha. Essa gordura é inflamada e responde pouco a dieta restritiva e a exercício comum. No dia a dia isso vira joelhos que se esbarram ao caminhar, dor ao dobrar a perna e cansaço na escada.
Reconhecer o quadro cedo permite tratar a dor, reduzir a sobrecarga da articulação e organizar um treino que você consiga manter.
Quais são os principais sintomas do lipedema no joelho?
A gordura inflamada nessa região traz desconfortos característicos.
O joelho estufa e perde o contorno, de forma parecida nas duas pernas. Dói ao toque, às vezes com ardência, e uma pressão leve já basta, o cachorro que se apoia ali para subir no sofá, a criança que senta no seu colo e escorrega o pé pela sua perna. Ao apalpar você percebe caroços pequenos por baixo da pele. A perna fica pesada e dura de dobrar ou esticar por completo, e a escada cansa. As faces internas dos joelhos se tocam quando você caminha, a pele irrita, e os roxos aparecem com facilidade.
Quais são as causas e fatores de risco associados?
O lipedema costuma vir de família e ocorre quase só em mulheres. É comum que apareça ou se agrave na puberdade, na gestação, com o uso de contraceptivos e na menopausa, com o papel do estrogênio sendo a explicação mais aceita. Ganho de peso e sedentarismo não causam a doença, mas pioram dor e inchaço e aumentam a carga no joelho.
Como é feito o diagnóstico do lipedema no joelho?
O diagnóstico é clínico. Ele vem da consulta: sua história, a palpação do tecido e a comparação entre as pernas e entre tronco e pernas. Imagem responde a outras perguntas, mas não é o exame para diagnóstico do lipedema. O ultrassom avalia veias e espessura do tecido, e a ressonância pode entrar para investigar a articulação por dentro. Um detalhe muda o acompanhamento: desgaste de cartilagem e problema de veias costumam coexistir com o lipedema.
Quais são as opções de tratamento para o lipedema no joelho?
O plano combina medidas clínicas contínuas e, em casos selecionados, cirurgia.
Do lado clínico, entram a compressão graduada bem indicada, a drenagem linfática manual, a fisioterapia para fortalecer quadríceps e glúteos e dividir a carga que hoje o joelho carrega sozinho, e o exercício, iniciando com baixo impacto se houver inflamação e evoluindo para treinos com carga progressiva. Ondas de choque e fotobiomodulação são recurso complementar. A compressão é pilar em todas as diretrizes.
A cirurgia é a lipoaspiração com técnica tumescente específica para lipedema, planejada para poupar os vasos linfáticos ao retirar a gordura doente. Em alguns casos ela entra depois do tratamento clínico. Em outros, como quando há grave prejuízo da mobilidade, a indicação é mais rápida. Compressão e acompanhamento continuam necessários no pós-operatório.
Quando procurar um cirurgião vascular?
Procure avaliação especializada se percebe gordura dolorida em volta dos joelhos, perda do contorno da articulação ou dificuldade crescente para caminhar.
A avaliação vascular mapeia sua circulação e separa o que é lipedema do que é problema venoso ou articular. Com esse retrato dá para montar um plano que reduza a dor e proteja o joelho.
Artigo revisado e assinado por:
Dr. Vitor Gornati — Cirurgião Vascular (CRM 135.239)