Você separou o shorts para o treino de perna, olhou de novo e pegou a legging. No leg press, leu o peso prescrito na ficha e pensou se já era hora de subir. Desistiu, e fez a série com a carga da semana passada.
Sim. Ter varizes não é motivo para sair da academia. Musculação não causa varizes, e a musculatura forte da perna, principalmente a panturrilha, ajuda o sangue a subir de volta, o que costuma melhorar peso e inchaço no fim do dia.
A doença venosa tem outros donos: genética, hormônios, idade, peso e rotinas com muitas horas em pé. A panturrilha funciona como uma bomba, e a cada contração ela aperta as veias profundas e empurra o sangue para cima, contra a gravidade, de modo que quanto mais forte ela estiver, melhor essa bomba trabalha ao longo do dia.
Mitos e verdades sobre musculação e varizes
Pegar muito peso não estoura a veia. Durante o esforço os vasos ficam mais cheios e mais visíveis, e voltam ao normal quando o treino termina. O sangramento por variz é raro, e quando acontece costuma envolver uma veia muito superficial que leva uma batida ou um arranhão, e não o esforço com o halter na mão.
Que a musculação previna varizes novas é verdade só pela metade, porque o treino melhora a bomba da panturrilha, ajuda a controlar o peso e costuma deixar a perna mais confortável às oito da noite, na volta para casa, ainda que a base de estudos sobre sintomas seja pequena. Que ele impeça o surgimento de novas varizes é plausível.
Sobre evitar impacto, depende. Salto e corrida intensa podem incomodar mais quando a perna já está inchada, o que é motivo para ajustar o treino, e não para abandonar a modalidade. Não existe proibição geral, e a compressão elástica costuma deixar o treino mais confortável.
Como treinar com varizes de forma confortável e segura?
Considere treinar de meia de compressão, que é a medida com melhor respaldo para sintoma: ela reduz a sensação de peso e o inchaço depois do esforço. A meia é um dispositivo com medida, então o modelo e a força de compressão saem da consulta.
Não prenda a respiração ao levantar carga. Segurar o ar durante o esforço, a manobra de Valsalva, aumenta a pressão dentro do abdome e dificulta, naquele instante, o retorno do sangue das pernas, então o ar sai na fase de força.
Misture força com atividade contínua, porque caminhada, bicicleta e natação mantêm a panturrilha trabalhando por mais tempo seguido, e é esse trabalho repetido que move o sangue. A progressão de carga vem aos poucos, já que a semana de dor depois de um salto grande é o que costuma tirar você da academia por um mês.
Beba água, não porque isso afina o sangue, mas porque a desidratação piora desempenho, câimbra e recuperação.
Se a perna incha depois de um treino específico, ou se a dor aparece sempre no mesmo exercício, anote e leve para a consulta, em vez de abandoná-lo.
Quando procurar o cirurgião vascular?
Marque uma avaliação se sente dor, queimação ou peso importante nas pernas depois dos treinos, se os vasinhos começaram a aumentar, se a perna incha de forma desigual ou se apareceu uma veia mais verdinha e aparente.
Nesses casos, a avaliação vascular, com exame clínico e mapeamento da circulação, mostra o estágio da doença venosa, ajuda a ajustar o treino ao que a perna suporta hoje e indica se alguma veia precisa ser tratada.
Artigo revisado e assinado por:
Dra. Karen Utsunomia — Cirurgiã Vascular (CRM 139.678)