Varizes: mito ou verdade sobre seus principais sintomas e tratamentos

Você está sentada no sofá, de pernas cruzadas, e lembra da sua mãe dizendo que era exatamente assim que as varizes apareciam. Ela falava isso da cozinha, sem nem olhar. Você tinha uns doze anos, e até hoje descruza as pernas quando essa frase aparece na sua cabeça.

Varizes são apenas um problema estético?

Não. Varizes são a face visível de uma doença chamada insuficiência venosa crônica. O incômodo estético é real e conta, mas veias doentes também provocam dor, peso, queimação e inchaço, e em parte dos casos evoluem para manchas escuras na pele, inflamação da veia e, em quadros avançados, feridas que custam a fechar.

O mecanismo é simples. Quem empurra o sangue das pernas para cima é a musculatura da panturrilha, a cada passo. As válvulas dentro das veias são portas de mão única, e não bombeiam nada, apenas impedem que o sangue desça de volta. Quando elas falham, o sangue reflui, a pressão sobe e o vaso dilata.

O que é mito e o que é verdade sobre varizes?

Cruzar as pernas não causa varizes. O peso maior está na genética, nas alterações hormonais, na gestação, no excesso de peso e nas rotinas com muitas horas em pé, e nenhuma dessas coisas se resolve com a postura no sofá.

Não é doença de idosa. A frequência aumenta com a idade, mas mulheres jovens com histórico familiar podem desenvolver a doença cedo.

Que o exercício previne varizes é, de certa forma, verdade. Ele não impede o surgimento de veias doentes. O que ele faz, e faz bem, é fortalecer a panturrilha e melhorar o retorno do sangue, o que deve melhorar peso e inchaço.

A gravidez aumenta o risco de fato, porque os hormônios favorecem a dilatação das veias e o útero em crescimento pressiona as veias do abdome, dificultando o retorno do sangue das pernas. Esse risco cresce a cada gestação. Algumas varizes melhoram depois do parto e outras não, e por isso vale reavaliar as pernas alguns meses depois.

E tratar não encerra o assunto. O tratamento fecha ou retira as veias doentes e alivia os sintomas, mas a predisposição continua e novas veias podem dilatar com os anos. É para isso que existe o acompanhamento.

Quais são os principais sintomas?

O que aparece primeiro é o peso e o cansaço nas pernas, tipicamente no fim do dia. Depois entram a dor, a queimação e as câimbras noturnas, o inchaço nos tornozelos e nos pés que melhora quando você deita, e a coceira que insiste bem em cima do trajeto de uma veia. Em fases mais avançadas, a pele acima do tornozelo escurece e endurece.

Quais são as formas atuais de tratamento?

A escolha depende de qual veia está doente, do calibre dela e dos seus sintomas, e quem define isso é o mapeamento com ultrassom Doppler.

O tratamento clínico reúne meia de compressão graduada, atividade física e, em alguns casos, medicamentos para aliviar sintomas. Ele alivia, mas não faz a veia doente voltar ao normal.

A escleroterapia consiste em aplicar uma substância líquida ou em espuma dentro do vaso para secá-lo. É usada em vasinhos e veias finas, mas também pode ser utilizada no tratamento de veias mais calibrosas, inclusive a safena, e pode exigir mais de uma sessão.

A termoablação por laser ou radiofrequência fecha a veia doente por dentro, através de uma punção, sem os cortes maiores da cirurgia tradicional.

A cirurgia segue indicada para veias mais calibrosas e para anatomias em que as técnicas por dentro da veia não se aplicam.

Quando procurar um cirurgião vascular?

Vale marcar avaliação se você sente dor ou peso frequente nas pernas, se percebe inchaço nos pés no fim do dia, ou se já enxerga veias dilatadas.

A avaliação vascular mapeia a circulação das pernas e mostra qual veia está causando o sintoma. Com esse diagnóstico, dá para escolher o tratamento adequado ao seu caso e controlar a doença.

Artigo revisado e assinado por:

Dr. Vitor Gornati — Cirurgião Vascular (CRM 135.239)