Varizes podem voltar depois do tratamento? Entenda o que realmente acontece:

A veia fina que você achou hoje na parte de dentro da coxa não estava ali no verão passado. No verão passado você usou short pela primeira vez em anos. Antes disso, o curativo no lugar das veias removidas, a meia elástica por vários dias, a alta no mesmo dia. E antes de tudo isso, a decisão de tratar.

Podem. A veia retirada não volta, mas varizes novas podem surgir ao longo da vida, e uma veia tratada por escleroterapia pode reabrir com o tempo. Tratar varizes resolve as veias doentes de hoje; não desliga a condição que as produziu.

Varizes são a parte visível de uma doença crônica da circulação. Laser, escleroterapia e cirurgia fecham ou retiram os vasos que já falharam, e o alívio costuma durar. Nenhum deles muda sua genética, sua carga hormonal ou as horas que você passa em pé. A recorrência chega por caminhos diferentes: quando se usa escleroterapia, com aplicação de espuma dentro da veia, aquele vaso pode reabrir em parte; vasos novos podem brotar na região que foi tratada; e veias que estavam saudáveis podem adoecer anos depois.

Por que novas varizes aparecem mesmo depois do tratamento?

Porque a predisposição continua ativa, e ela não foi tratada em nenhum momento.

Histórico familiar de doença venosa é o fator que mais pesa. Gestação, anticoncepcional e terapia hormonal entram por outro caminho, mexendo na parede da veia. Passar muitas horas em pé por dia é a rotina mais associada a varizes, enquanto ficar sentada aparece ligada sobretudo ao inchaço. O excesso de peso aumenta a carga diária que o sistema venoso precisa vencer. E a idade age sozinha: paredes e válvulas mudam com o tempo, tenham sido tratadas ou não.

Nada disso significa que o tratamento falhou. Significa que a fábrica continua aberta.

Dá para reduzir a chance de novas varizes?

Nenhum hábito garante pernas livres de varizes. O que eles fazem, e já é bastante, é tirar sobrecarga das veias e mudar como a perna se sente às oito da noite.

Fortalecer a panturrilha é o que dá mais retorno. Ela é a bomba da perna, e a cada passo aperta as veias e empurra o sangue para cima. Quebrar o tempo parada vem em seguida: levantar, caminhar e alongar algumas vezes ao longo do expediente já muda o fim do dia. A meia de compressão graduada reduz inchaço e desconforto quando indicada, e ela é um dispositivo que tem medida, não é escolhida pelo tamanho da roupa: quem define a força de compressão e o modelo é a consulta. Cuidar do peso entra na lista menos por estética e mais pela carga que a perna carrega o dia inteiro.

O acompanhamento médico depois do tratamento é necessário?

Sim, e o intervalo é individual. Quem tratou uma veia calibrosa, tem histórico familiar forte ou já teve trombose volta mais vezes do que quem tratou só vasinhos.

Nos retornos, o ultrassom Doppler mostra as veias superficiais e as profundas, inclusive as que ainda não deram nenhum sinal na pele. Achar cedo uma veia funcionando mal costuma significar um tratamento bem menor do que o que seria preciso dois anos depois.

Quando voltar ao cirurgião vascular?

Volte se notar inchaço frequente nos tornozelos, pernas pesadas no fim do dia, queimação, coceira que insiste no mesmo lugar, escurecimento da pele ou vasinhos novos.

Procure atendimento sem esperar o retorno agendado se surgir dor forte com inchaço em apenas uma das pernas, ou se uma veia ficar endurecida, quente e avermelhada.

Voltar cedo simplifica o tratamento e protege a pele das pernas, que é onde a doença venosa deixa as marcas mais difíceis de reverter. A avaliação, com exame clínico e mapeamento da circulação, define se o que você sente é evolução da doença ou outra coisa.

Artigo revisado e assinado por: Dra. Karen Utsunomia — Cirurgiã Vascular (CRM 139.678)